<T->
           Histria
           Viver e Aprender
           #a srie 
           Elian Alabi Lucci
           Anselmo Lazaro Branco

<F->
   Impresso braille em 2
   partes, da 1 edio, 
   2001, da editora Saraiva.
<F+>

           Segunda Parte

           Ministrio da Educao 
           Instituto Benjamin Constant
           Diviso de Imprensa Braille
           Av. Pasteur, 350/368 -- Urca
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          Tel.: (0xx21) 3478-4400
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          E-mail: ~,ibc@ibc.gov.br~, 
           -- 2003 --
<P>
           Superviso Editorial:
           Jos Lino Fruet
           Editora: 
           Emlia Noriko Ohno
           Assistentes editoriais:
           Ana Paula Piccoli e
           Ana Paula Figueiredo
           Reviso:
           Fernanda Almeida Umile 
           Ilustraes:
           Eli Len e Joo Anselmo
  
           ISBN 85-02-03465-0

           Todos os direitos reservados
           Editora Saraiva
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<F+>

<P>
<F->
                                I
Sumrio

Segunda Parte

Unidade 4
Economia e Sociedade 
  no Brasil Imperial
  e Republicano :::::::::::: 139
O Governo de Portugal
  se Transfere para
  o Brasil ::::::::::::::::: 143
O Brasil se Torna um 
  Pas Independente ::::::: 148
Caf, Base da Economia
  no Imprio ::::::::::::::: 152
-- Quem Plantava o
  Caf? :::::::::::::::::::: 157
Chegam os Imigrantes :::::: 165
Da Monarquia  
  Repblica :::::::::::::::: 168
O Que Mudou com 
  a Repblica? ::::::::::::: 172
Alternativas da Populao
  Rural :::::::::::::::::::: 177
O Desenvolvimento das
  Indstrias e os
  Operrios :::::::::::::::: 186
A Economia e o Trabalho
  a Partir de 1960
  At os Dias Atuais ::::: 194
<F+>

<Thist. v. apren. 4>
<T+139>
Unidade 4

Economia e Sociedade no 
  Brasil Imperial e 
  Republicano

<R+>
(...)
Os trabalhadores comeam a chegar, 
 procurando uma vaga para trabalhar,
 E com o tempo a cidade comeou a aumentar,
 e a populao no parava de chegar,
 e para o povo ter melhor lazer, outras indstrias comeam a aparecer,
 e quanto mais indstria aparecia, mais a populao crescia
 (...)

*Rap da revoluo*. Em: Elaine Nunes de Andrade (org.). *Rap e 
educao, rap  educa-
<P>
  o*. So Paulo, Selo Negro, 1999. p. 133-134
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

<80>
Para comear

  O mundo no se transforma sem a ao humana; so os seres
humanos que fazem a histria. Partindo dessa afirmao, leia
o texto a seguir. 

  O mundo em que vivemos est sempre mudando e nossas vidas
tambm. Porque muda o mundo, nossas vidas mudam; e o mundo
muda porque mudam nossas vidas.
  Ontem era assim; hoje j no  mais; amanh como ser? As 
coisas que hoje existem nem sempre existiram e no devero
necessariamente existir para sempre.
  O passado  um tempo distante de ns.  tambm um tempo 
diferente do presente, porque a vida est sempre mudando. E 
o futuro, ser diferente?
  No sculo XVI dava-se o nome de brasileiros aos comerciantes
de pau-brasil. A quem chamamos de brasileiros, hoje?
  Durante os sculos XVI, XVII e XVIII, o Brasil foi uma 
colnia de Portugal. No sculo XIX no era mais; tornara-se 
um pas independente politicamente. Durante trezentos anos, 
as vidas dos habitantes da colnia estiveram submetidas aos 
interesses da metrpole. Nas primeiras dcadas do sculo 
passado [XIX], deixaram de estar, e muitos daqueles habitantes
tornaram-se cidados de um novo pas -- o Imprio do Brasil.
  (...)

<R+>
Ilmar Rohloff de Mattos e Luis A. S. de Albuquerque. 
*Independncia ou morte: a emancipao poltica do Brasil*.
11. ed. So Paulo, Atual, 1991. p. 3

<81>
1 Os autores do texto fazem uma pergunta: "A quem chamamos de
brasileiros, hoje?". Converse com os colegas e, depois, respondam 
 pergunta.
 2 Procure em um dicionrio o significado das palavras *emancipao,
imprio* e *cidado*. Recorde tambm o que voc j estudou sobre
*colnia* e *metrpole*. Escreva tudo no caderno. Isso o ajudar a
compreender melhor as mudanas ocorridas no Brasil a partir do
sculo XIX.
 3 Em uma folha avulsa, faa um desenho que represente como voc
imagina o futuro. Fixe-o no mural da sala de aula e observe o desenho
dos colegas. 
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

               oooooooooooo

<P>
O Governo de Portugal se
  Transfere para o Brasil

  No incio do sculo XIX, tropas francesas invadiram Portugal. Diante
da invaso, a famlia real portuguesa mudou-se para o Brasil, em 1808,
transferindo-se, assim, a sede do governo da metrpole para a cidade do
Rio de Janeiro.
  Junto com a famlia real vieram muitos funcionrios da Corte, como
ministros, conselheiros e juzes. Vrios rgos pblicos, como ministrios,
academias militares e tribunais, foram criados no Brasil. Todo o trabalho
braal, porm, continuou sendo feito pelos escravos.
  Leia o texto a seguir.

Os escravos domsticos

  Nas casas e nos sobrados eram os escravos e as escravas quem
tudo faziam. Cozinhavam, lavavam, engomavam, costuravam, varriam
os assoalhos de tbua ou o cho de terra batida, limpavam a prataria...
<82>
  Cabiam tambm aos escravos domsticos tarefas desconhecidas
para ns (...). Ainda bem cedinho, mal o dia despontava, eles iam s
fontes e chafarizes buscar gua e, por vezes, lavar as roupas de 
seus senhores, retornando para a casa carregando jarros e trouxas
na cabea. Ao entardecer, acendiam as lamparinas e os candeeiros
das moradias, tendo antes verificado se era necessrio trocar
o leo utilizado como combustvel. E em determinados dias da 
semana, quando o Sol tinha acabado de se esconder, aqueles
escravos, chamados de "tigres", transportavam para as praias,
valas ou lugares desertos pesados vasos repletos de excrementos
acumulados nas casas. 

<R+>
Ilmar Rohloff de Mattos e outros. *O Rio de Janeiro, 
capital do reino*. 2. ed. So Paulo, Atual, 1995. p. 17

1 Compare o cotidiano do trabalho escravo domstico com a vida dos
escravos que trabalhavam na produo do acar (veja unidade 3).
 2 Com base no texto, como era, no incio do sculo XIX, o abastecimento
de gua, a iluminao das moradias e a eliminao de esgotos no
Rio de Janeiro? E como  hoje onde voc mora?
 3 Veja:
<R->

<F->
*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?
  Figura: Reproduo de gra-  o
  vura de Debret, incio do    o
  sculo XIX.                 o
eieieieieieieieieieieieieieieieiei
<F+>

<R+>
<83>
a) Faa uma descrio da imagem. Para isso, observe:
 quem  o autor do quadro e quando foi pintado;
 a cena e o ambiente retratados;
 as pessoas (como esto vestidas, o que esto fazendo).
 b) Compare essa imagem com a sua vida domstica atual e 
escreva quais so as diferenas e as semelhanas existentes.
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

  A vinda da famlia real para o Brasil trouxe grandes modificaes para
a colnia. Logo que chegou aqui dom Joo, prncipe regente (1) de
Portugal, promoveu a abertura dos portos ao comrcio internacional. Com
essa medida, acabava o monoplio comercial portugus, ou seja, os
colonos poderiam comercializar com outros pases, alm de Portugal.
  Nessa poca houve tambm um grande crescimento cultural, com a
<F->
:::::::::::::::::::::::::::::::::
      (1) Prncipe regente: 
  que governa, provisoriamente, 
  em nome do rei.
<F+>
<P>
criao da imprensa, de bibliotecas, faculdades.

<R+>
_`[{foto do Jardim Botnico. Legenda a seguir_`]
<R->
  O atual Jardim Botnico, que aparece na foto, foi criado em 1808 no Rio de Janeiro, a
nova sede do reino portugus na poca.

<R+>
4 Responda:
 a) Com a abertura dos portos, os colonos puderam comercializar seus
produtos com outros pases. O que isso representou para eles?
 b) Na sua opinio, o desenvolvimento cultural que ocorreu no Brasil
com a vinda da famlia real e da Corte portuguesa beneficiou a
todos que aqui moravam?
<R->

               oooooooooooo

<84>
<P>
O Brasil se Torna um
  Pas Independente

  Em 1815 o Brasil tornou-se Reino Unido de Portugal, ou seja, deixou 
de ser uma colnia. 
  A populao de Portugal, porm, estava insatisfeita desde a partida 
da famlia real e da Corte, e exigia o retorno de dom Joo VI. Para os 
portugueses no havia mais motivos para o rei permanecer no Brasil, pois 
os franceses j tinham sido expulsos do pas. 
  Mas os comerciantes e proprietrios de terra do Brasil no queriam 
que dom Joo VI retornasse a Portugal. Eles temiam que, com a sada da
Corte e do rei, voltasse a vigorar o monoplio comercial. 
  Cedendo s exigncias dos portugueses, em abril de 1821, dom 
Joo VI acabou voltando para Portugal, mas deixou aqui seu filho Pedro 
como prncipe regente.
<85>
  Os polticos portugueses comearam ento a exigir o fim do
reino brasileiro, ou seja, queriam que o Brasil voltasse  condio de
colnia de Portugal. Alm disso, pediam o retorno de dom Pedro
a Portugal, pois sua presena no Brasil garantia a autonomia dos
brasileiros.
  Dom Pedro, percebendo que os brasileiros tinham interesses cada
vez maiores de se separar definitivamente de Portugal, decidiu ficar no Brasil.
  Com a presso crescente dos portugueses, a separao dos dois
reinos tornou-se inevitvel. Assim, em 1822, dom Pedro proclamou a
independncia, efetivando a autonomia poltica do Brasil. Tornou-se,
ento, o primeiro imperador brasileiro. Comeava o perodo chamado
*Imprio* ou *monarquia*.

               ::::::::::::::::::::::::

<P>
Conhecendo melhor as 
  palavras

  A monarquia  um sistema de governo em que o poder  exercido
por um rei ou imperador. Esse poder  hereditrio, ou seja, passa de
pai para filho.
  At o sculo XIX, havia muitas monarquias absolutistas em todo o
mundo, isto , o rei detinha todos os poderes. Ele criava leis, fazia com
que elas fossem obedecidas, julgava etc. Atualmente, quase todas as
monarquias so constitucionais. Isso quer dizer que nos pases
monrquicos existe uma Constituio a que todos, inclusive o rei,
devem obedecer.

<R+>
1- Pergunte a um adulto de sua convivncia qual  o sistema de
governo do Brasil atualmente. Pergunte tambm se ele conhece
pases que tm a monarquia como sistema de governo.
<R->

<86>
<F->
!:::::::::::::::::::::::::::::::
l  O que mudou no Brasil com  _
l  a proclamao da indepen-    _
l  dncia?                      _
h:::::::::::::::::::::::::::::::j
<F+>

  Com o imprio, as condies sociais da maioria da populao
brasileira quase no mudaram. Os negros africanos, por exemplo,
que correspondiam a cerca da metade da populao do pas, continuaram
trabalhando como escravos. As mulheres, assim como antes, s 
podiam participar da vida domstica.
  Apenas os homens livres que possuam renda elevada conquistaram
direitos polticos (puderam votar e ser eleitos). No entanto, eles
representavam uma parcela muito pequena da populao.
  Em termos econmicos, no perodo imperial, assistiu-se  expanso
do cultivo de um produto agrcola que se transformou na principal
riqueza do sculo XIX: o caf.

<R+>
1 Responda:
 a) O que os comerciantes e proprietrios de terra temiam que
acontecesse caso o rei e a Corte portuguesa retornassem a
Portugal?
 b) O que mudou e o que permaneceu aps a independncia do Brasil?
<R->

               oooooooooooo

Caf, Base da Economia 
  no Imprio

  No incio do sculo XVIII, foram trazidas ao Brasil as primeiras 
mudas de caf, uma planta usada para fazer um produto muito apreciado
na Europa. Seus frutos vermelhos eram torrados e depois modos.
Com o p resultante, fervido em gua, fazia-se uma bebida cheirosa,
de sabor agradvel e com propriedades estimulantes. 
<87>
  No sculo seguinte, j havia no pas extensas plantaes de
caf, que se espalharam pelo vale do rio Paraba e, mais tarde,
a oeste dessa regio.

<R+>
_`[{mapa Diviso Poltica do Brasil (sculo XIX) e reas das
Primeiras Plantaes de Caf. Descrio a seguir_`]
<R->
  Mapa mostrando a diviso do pas em provncias e suas capitais.
<R+>
Gro Par -- Belm
 Maranho -- So Lus
 Piau -- Oeiras
 Cear -- Fortaleza
 Rio Grande do Norte -- Natal
 Paraba -- Paraba
 Pernambuco -- Recife
 Alagoas -- Alagoas
 Sergipe -- So Cristvo
 Bahia -- Salvador
 Minas Gerais -- Ouro Preto
 Esprito Santo -- Vitria
 Rio de Janeiro -- Niteri
 Rio de Janeiro -- capital do Brasil
 So Paulo -- So Paulo
 Santa Catarina -- Desterro
 Rio Grande do Sul -- Porto Alegre
 Mato Grosso -- Cuiab
 Gois -- Gois
<R->
  Em destaque, as provncias de Minas Gerais, So Paulo e Rio 
de Janeiro como rea das primeiras plantaes de caf.

<88>
<R+>
1 Observe o mapa acima e responda:
 a) Qual o ttulo do mapa?
 b) As informaes nele contidas so de que poca?
 c) Na sua opinio, ele  um mapa histrico? Por qu?

2 Consulte um atlas geogrfico e compare a atual diviso poltica do
Brasil com a do sculo XIX. H diferenas em relao:
 a) ao territrio do Brasil? Quais?
<P>
 b)  diviso poltica?
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

  Em 1850, o Brasil era um dos maiores produtores de caf do mundo,
e durante muitos anos esse foi o principal produto de exportao do
pas, sendo vendido principalmente para os mercados consumidores 
europeus.
  Embora fosse o mais importante, o caf no era o nico produto da
economia brasileira naquele perodo. Observe o mapa a seguir.

<R+>
_`[{mapa "Economia do Brasil Imprio (sculo XIX)". Atividades
econmicas e respectivas localizaes relacionadas a seguir_`]
<R->
  Borracha: Parte dos atuais estados AM, RR e PA;
  Pecuria: Parte dos atuais estados do MA, PI, CE, RN, PE,
SE, BA, MG, SP, PR, SC, RS, MT, MS, GO e TO;
  Cana-de-acar: Parte dos atuais estados do RN, PB, PE,
AL, SE, BA, ES e RJ;
  Caf: Parte dos atuais estados de MG e SP;
  Algodo: Parte dos atuais estados do MA, CE, RN, PB e PE;
  Minerao: Parte dos atuais estados de RR, BA, MG, MT e GO;
  Cacau: Parte dos atuais estados da BA e MG;
  Tabaco: Parte dos atuais estados da BA e RS.

<89>
<R+>
3 Compare o mapa da economia do Brasil imprio (sculo XIX) com o
da economia do Brasil colnia (sculo XVIII), na pgina 67.
 a) Que produtos aparecem no mapa do sculo XIX e no apareciam
no do sculo anterior?
 b) Que produtos do mapa do sculo XVIII deixaram de aparecer no do
sculo XIX? 

4 No mapa da pgina anterior foi traada a atual diviso poltica do Brasil.
Observe o estado onde voc mora. No perodo imperial, desenvolvia-se
alguma atividade econmica importante na rea que hoje corresponde
ao seu estado? Qual? E hoje, qual a principal atividade econmica do
seu estado? 
<R->

               oooooooooooo

Quem Plantava o Caf?

  No incio, o trabalho nas plantaes de caf era feito por escravos
negros, que continuaram sendo trazidos da frica.
  Assim como nos engenhos de acar, nas fazendas de caf os
escravos eram propriedade do senhor, sendo obrigados a trabalhar vrias
horas por dia em servios pesados e recebendo castigos fsicos por
qualquer falta que cometessem ou caso se rebelassem. A diferena
estava no tipo de trabalho que realizavam. Nas fazendas, derrubavam 
as matas para o plantio do caf, plantavam as mudas, cuidavam para 
que as pragas no atacassem a plantao, colhiam os gros, ensacavam
e transportavam o produto, que depois seria enviado  Europa.

<R+>
_`[{foto de escravos trabalhando. Legenda a seguir_`]
<R->
  Aps a colheita, o caf era lavado; depois de seco, era descascado e 
selecionado. Reproduo de litografia de Victor Frond, feita no sculo 
XIX, em que se v escravos trabalhando no pilo, uma das maneiras de se 
retirar as cascas do caf.

<90>
  Alm do trabalho nas fazendas de caf, os escravos negros tambm continuaram
sendo a mo-de-obra domstica. Leia o texto a seguir.

O trabalho nas fazendas de caf

  (...)
  A fazenda de caf opulenta dispunha de servios de pajens, copeiros, moos 
de cavalaria e da cozinha, criados para os homens, e mucamas para as senhoras,
e ainda especialidades curiosas: tropeiros, pees, raladores de mandioca, 
lavadeiras, quitandeiras, derrubadores de mato, carreiros, condutores de 
liteira ou bangezeiros, vaqueiros, pescadores, caadores, cesteiros e 
estafetas. 
  Essa diversificao de atividades j selecionava os escravos pela 
resistncia fsica, pela habilidade tcnica e mesmo por algum talento 
natural. Os mais fortes trabalhavam nos servios pesados, especialmente no
campo; os habilidosos eram encaminhados para as oficinas e trabalhavam 
junto  sede, dentro ou fora dela; quituteiras de talento desenvolviam
seus dotes na cozinha senhorial, rica em *quitandas*, isto , doces e 
biscoitos caseiros.
  Alm dessa seleo, outra se impunha pela natureza das tarefas: escravos 
que trabalhavam na lavoura eram *do eito*, tambm chamados *de fora*; 
escravos que desempenhavam suas funes no interior das casas eram *domsticos*,
conhecidos como *de dentro*.
  A essa diviso correspondiam tratamentos diferenciados, sendo os de dentro 
privilegiados no trato pelos seus senhores, em relao aos de fora. Escravo 
*oficial*, aquele que era especializado, vivia mais bem-trajado, era menos 
vigiado, mais educado que os rudes trabalhadores do eito. Era "gente da copa
dos fidalgos".
  (...)

<R+>
Ana Luiza Martins. *O trabalho nas fazendas de caf*. So Paulo,
Atual, 1994. p. 15
<P>
<91>
1 Procure no dicionrio o significado das palavras do texto que voc no
conhece e leia-o novamente.

2 Responda:
 a) Nas fazendas de caf houve uma diversificao das atividades. Qual
trecho do texto indica isso?
 b) Como os escravos eram selecionados?
 c) Havia diferena de tratamento entre os escravos que trabalhavam na 
lavoura e os que realizavam servios domsticos?

3 Nas fazendas de caf, os escravos realizavam servios variados; alguns 
existem ainda hoje, outros desapareceram. Anote no caderno cada um dos 
servios mencionados no texto. Depois, faa uma pesquisa em livros,
enciclopdias e dicionrios para verificar: 
<P>
 a) quais desses servios no existem mais;
 b) quem realiza hoje os servios daquela poca que ainda existem.

4 Observe esta imagem:

_`[{reproduo do quadro *Caf*, de Cndido Portinari, feito em 1935.
Descrio a seguir_`]
<R->
  Uma plantao de caf. Escravos fazem a colheita do caf, 
ensacam e carregam o produto.

<R+>
a) Quando o quadro foi feito?
 b) Observe as pessoas retratadas (quem so, como aparecem, o que esto 
fazendo). Qual o papel delas no trabalho nas lavouras de caf?
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

<92>
  A partir de meados do sculo XIX a abolio da escravatura no Brasil
tornou-se uma possibilidade real. Em 1850, o governo brasileiro aprovou
a lei que proibia o trfico de negros da frica para o Brasil. Apesar da
proibio, os fazendeiros de caf continuaram adquirindo escravos vindos
da frica clandestinamente, ou seja, s escondidas, ou comprando-os de
outras regies do pas. Devido s dificuldades, o preo dos escravos
africanos tornou-se altssimo.
  Por terem gasto somas elevadas e por julgarem que os escravos eram parte 
de seus bens, os proprietrios fizeram de tudo para que a escravido durasse
o maior tempo possvel. Para isso, afirmavam que, sem os cativos, a produo 
cafeeira seria invivel. Assim, a escravido s terminou no Brasil em 1888. 
A partir daquele ano, todo o trabalho escravo deveria ser substitudo pelo 
trabalho assalariado. Deixaram de existir os senhores e passaram a existir 
os patres.

<R+>
5 Volte  unidade anterior e veja quando a escravido africana teve incio
no Brasil. Quanto tempo levou para os escravos obterem a liberdade?
 6 Leia este trecho da letra da cano *Mo da limpeza*:

Mesmo depois de abolida a escravido,
 negra  a mo de quem faz a limpeza.
 Lavando a roupa encardida, esfregando o cho.
 (...)
 Negra  a vida consumida ao p do fogo, 
 negra  a mo nos preparando a 
  mesa.
 Limpando as manchas do mundo com gua e sabo.

Gilberto Gil. *Mo da limpeza*. Em: *Raa humana*. Rio de Janeiro, 
Warner Music Brasil, 1984.
<P>
     O que esse trecho nos diz sobre a condio de vida dos africanos e seus 
descendentes no Brasil aps a abolio da escravatura?
<93>
 7 Converse com seus colegas e respondam: Qual foi a principal mo-de-obra utilizada na produo do caf aps a abolio dos escravos?
<R->

               oooooooooooo

Chegam os Imigrantes

  No final do sculo XIX, em pases como Itlia, Portugal e Espanha,
por exemplo, houve um processo de transformaes no campo. Muitas
pessoas foram expulsas das terras onde trabalhavam e obrigadas a
procurar emprego nas cidades. Mas no havia emprego para todos, e
muitos acabaram deixando seus pases  procura de novas terras para
viver. Mesmo antes da abolio dos escravos, a possibilidade de conseguir
emprego atraiu muitas dessas pessoas para o Brasil. Eram os imigrantes.
  Os primeiros imigrantes que chegaram aqui, no sculo XIX, foram os
aorianos -- que se dirigiram para o sul do pas -- e os suos -- cuja
comunidade deu origem  cidade de Friburgo, no Rio de Janeiro. Depois,
chegaram alemes e italianos, que tambm foram para o sul, onde
organizaram diversas colnias que deram origem a cidades.
<94>
  Para trabalhar na lavoura do caf, vieram principalmente italianos. A
maioria deles no conseguiu realizar o sonho de adquirir terras no Brasil e
acabou integrando a mo-de-obra nas primeiras indstrias. Estas foram
fundadas no final do sculo XIX principalmente com o dinheiro dos
fazendeiros de caf, que perceberam a oportunidade para ampliar seus
investimentos, dependendo menos de um nico produto.
  J no incio do sculo XX, vieram pessoas de vrias outras nacionalidades:
espanhis, russos, ucranianos, turcos, srios, libaneses, japoneses, 
chineses. Alm da fora de trabalho, cada grupo trouxe seus costumes, 
conhecimentos, modos de vida, como novos hbitos alimentares, novas formas
de falar e de se vestir, brincadeiras, msicas, tcnicas e o sonho de recomear
a vida no novo pas. Nas diferentes regies para onde se dirigiram, podemos 
observar, de muitas maneiras, elementos das tradies e costumes desses povos, 
promovendo o encontro de culturas.

<R+>
1 Os imigrantes que vieram trabalhar na cultura do caf sonhavam em
adquirir terras, mas a maioria acabou indo trabalhar nas indstrias. Por
que voc acha que isso aconteceu?
 2 Recorte de jornal ou revista uma figura que mostre algum tipo de
influncia dos imigrantes nos municpios brasileiros. Cole-a no caderno
e escreva uma legenda para ela, identificando o municpio, o tipo de
influncia e o pas de origem.
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

               oooooooooooo

<95>
Da Monarquia  Repblica

  As condies favorveis ao plantio do caf (como o tipo de solo e o clima 
de algumas reas do Sudeste brasileiro), a mo-de-obra barata (inicialmente 
de escravos, que nada recebiam, e depois de imigrantes) e os grandes lucros 
obtidos com a exportao do produto (principalmente para a Europa e a Amrica
do Norte) tornaram o Brasil o mais importante produtor de caf do mundo. Com 
isso, durante o imprio, alguns grupos sociais se fortaleceram, especialmente
os fazendeiros de caf.
  Os cafeicultores investiam os lucros obtidos no s nas plantaes de caf,
mas tambm em bancos, que financiariam a construo de ferrovias (para escoar
a produo cafeeira) e o desenvolvimento de outras atividades econmicas, 
como o comrcio e as indstrias. Essas atividades impulsionaram o crescimento
das cidades do Sudeste brasileiro nos sculos XIX e XX, principalmente Rio de
Janeiro, So Paulo, Santos e Campinas.
  Alm dos cafeicultores, outros grupos sociais, que formavam uma camada mdia
entre os fazendeiros e os trabalhadores mais pobres, foram ganhando fora. 
Entre essas pessoas estavam jornalistas, advogados, mdicos, professores, 
engenheiros, funcionrios pblicos e 
<96>
comerciantes. Esses grupos comearam a defender uma forma diferente de 
governo: a repblica. Os jornais publicavam vrias crticas ao imperador dom 
Pedro II, filho do primeiro imperador brasileiro. Algumas dessas crticas 
eram feitas em forma de caricatura. 
  Embora o prestgio do imperador tenha aumentado entre os ex-escravos aps 
a abolio da escravido, os fazendeiros e ex-senhores de escravos sentiram-se
prejudicados e tambm passaram a apoiar a causa republicana. 
  Enfraquecido, o governo monrquico foi derrubado pela ao de um grupo de 
militares que, at a vspera, se dizia fiel ao imperador. Isso aconteceu no 
dia 15 de novembro de 1889. 

<R+>
1 As camadas (grupos sociais) mais pobres da populao participaram do 
movimento a favor da repblica? Justifique sua resposta. 
 2 Folheie alguns jornais da atualidade e responda: Neles, h crticas ao 
governo? Como 
<P>
  elas so feitas? 
<R->

<F->
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  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

               ::::::::::::::::::::::::

Conhecendo melhor as palavras

  A palavra repblica significa "coisa de todos". Na repblica presidencialista
o pas  governado pelo presidente; na repblica parlamentarista, pelo 
primeiro-ministro. 
<97>
  Numa repblica, os governantes no so hereditrios, mas escolhidos em 
eleies para exercerem o poder durante determinado tempo. 

<R+>
1- Voc j sabe que o Brasil  uma repblica. Responda: Quem  o governante 
mximo do pas? Quem o auxilia no governo?
 2- Diferencie *monarquia* de *repblica* quanto: 
 a) a quem governa;
 b)  maneira como o governante chega ao poder;
 c)  durao do mandato.
<R->

               oooooooooooo

O Que Mudou com a Repblica?

  Nos primeiros tempos da repblica brasileira, praticamente no se alterou 
a participao poltica da populao. O voto, por exemplo, era um direito 
somente de homens alfabetizados e maiores de 21 anos. As mulheres continuaram
excludas, isto , no podiam votar. Como a maioria da populao era analfabeta,
no participava efetivamente da escolha dos governantes.
  Mesmo quem podia votar enfrentava problemas. No incio do perodo
republicano, o voto era aberto, ou seja, o eleitor tinha que declarar em
quem estava votando. Assim, os fazendeiros ricos de uma regio,
conhecidos como coronis, praticamente obrigavam os eleitores a votar
em seus candidatos.
  
<R+>
1 Voc viu que a palavra repblica quer dizer "coisa de todos". Converse
com seus colegas e respondam: No incio, a repblica teve de fato
esse significado?
 2 Compare o modo como eram as eleies no incio da repblica e
como so atualmente. Escreva suas concluses.
<98>
 3 Faa uma pesquisa em livros, enciclopdias ou Internet para saber em que 
poca a mulher conquistou o direito de votar.
<R->

  Na repblica ocorreram transformaes significativas na economia e composio 
da populao brasileira. 
  Alm da produo de caf, esse perodo foi marcado pelo processo de 
industrializao, principalmente nas cidades do Sudeste do pas. A 
introduo de mquinas e motores e a utilizao da energia eltrica 
transformaram o modo de trabalho nas indstrias e nos transportes. 
  Os meios de transporte de trao animal foram substitudos por trens
a vapor, depois por locomotivas e bondes eltricos e, mais tarde, por
automveis e outros veculos motorizados. 
  O desenvolvimento do telgrafo e a inveno do telefone transformaram a 
maneira como as pessoas se comunicavam. Antes, qualquer comunicao a 
distncia era feita por portadores e geralmente levava muito tempo para 
chegar a seu destino. Com os novos meios, a comunicao tornou-se praticamente
instantnea. No ano da proclamao da repblica (1889), j havia linhas 
telegrficas em quase toda a extenso do territrio brasileiro. 
  Esses avanos tecnolgicos contriburam para que as cidades crescessem. 
Muitos imigrantes que trabalhavam no cultivo do caf e ex-escravos negros 
foram para as cidades trabalhar nas indstrias, esperando se beneficiar 
tambm com o novo modo de vida urbano. 

<R+>
_`[{foto de um bonde. Legenda a seguir_`]
<R->
  Na dcada de 1920, os bondes faziam parte da paisagem das ruas centrais da
cidade de So Paulo.

<99>
<R+>
4 Rena-se com seus colegas e observem esta foto:

_`[{legenda: Foto de rua central de So Paulo no incio do sculo XX_`]

 a) De que poca  a foto? O que ela mostra?
 b) Atualmente vocs observam, nas ruas das cidades, situaes
semelhantes  mostrada na foto? Comente.
 
<P>
5 No caderno, faa uma lista dos meios de comunicao que voc conhece. 
Depois, marque os que utiliza.
 6 Em grupos, escolham duas das invenes seguintes e pesquisem a sua 
histria em livros e enciclopdias. Faam um cartaz, escrevendo o que 
descobriram e ilustrando-o com desenhos ou recortes dos objetos pesquisados.
Depois, fixem o cartaz no mural da sala de aula e observem o trabalho dos 
colegas. No se esqueam de anotar a poca em que as invenes foram criadas.
 telgrafo -- telefone -- avio -- automvel -- barco ou navio a vapor --
televiso -- lmpada -- computador -- rdio -- balo dirigvel -- jato --
trem eltrico -- nave espacial -- relgio de pulso
<R->

               oooooooooooo

<P>
Alternativas da Populao
  Rural

  A migrao do espao rural para o espao urbano comeou a ocorrer no sculo
XIX e continua at hoje. Alm da industrializao nas cidades, os principais 
motivos que levam a essas migraes so a falta de terra para trabalhar, a 
mecanizao da agricultura e da pecuria e a reduo de oportunidades de 
emprego no campo. 
  Assim, muitas pessoas se mudam para as cidades na esperana de conseguir 
trabalho e melhores condies de vida para a famlia. No entanto, a maioria
delas no  especializada para o trabalho urbano e acaba no encontrando 
emprego ou tendo que trabalhar como vendedores ambulantes, guardadores de 
carros, faxineiras diaristas etc.

<R+>
1 Se voc mora na cidade, entreviste um migrante que veio do campo  procura 
de melhores condies de vida. Se mora no campo, entreviste um parente de 
algum que tenha se mudado para a cidade. Siga o roteiro abaixo e, se quiser,
faa outras perguntas. 

 a) Qual a sua escolaridade?/Qual a escolaridade da pessoa? 
 b) Em que municpio voc morava?/Para que cidade a pessoa se mudou? 
 c) Quando se mudou para c/l? 
 d) Por que se mudou? 
 e) Voc/A pessoa trabalha atualmente? O que faz?
 f) Sua vida aqui/A vida da pessoa na cidade  como voc/ela imaginava? 
<R->

  Ao longo da histria republicana, porm, nem sempre os trabalhadores 
optaram por deixar o campo e migrar para as cidades. Algumas vezes, eles 
tentaram outras alternativas. Estudaremos aqui duas dessas tentativas: a 
de Canudos -- no serto nordestino -- e a dos seringueiros da Amaznia. 
<101>
  No serto da Bahia, como em outras regies do pas, as condies de vida 
eram difceis. Havia muita fome e misria no final do sculo XIX. Poucas 
pessoas sabiam ler e escrever. As terras estavam concentradas nas mos dos 
coronis, fazendeiros ricos e poderosos que exploravam a populao. As secas
arrasavam a agricultura, da qual quase toda a populao vivia e desejava 
continuar vivendo, apesar das dificuldades.
  Buscando condies para sobreviver, em 1893, alguns moradores da regio 
se instalaram em um velho arraial e fundaram o povoado de Bom Jesus, tambm 
chamado de Canudos. Seu lder era o cearense Antnio Vicente Mendes Maciel, 
mais conhecido como Antnio Conselheiro.
  Milhares de pessoas foram atradas pelas condies de vida do povoado de 
Canudos, que chegou a contar com cerca de 30 mil habitantes. L tudo o que 
se plantava e criava era repartido entre toda a populao. No se cobravam 
impostos, e as pessoas viviam livres da opresso dos coronis.
<102>
  Insatisfeito com a situao, o governo da Bahia reuniu tropas para atacar 
e destruir Canudos. Essas tropas, no entanto, s conseguiram derrotar os 
seguidores de Antnio Conselheiro depois de receberem ajuda de soldados 
enviados pelo governo federal, em 1897. Os moradores de Canudos, chamados 
de fanticos, foram massacrados. 

<R+>
2 Por que o governo estava insatisfeito com a formao de Canudos? 
Ao invadir o povoado, estava atendendo aos interesses de quem? 
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

<P>
Documentando

  Muitos acontecimentos que marcaram a histria so registrados por artistas
de diversas reas, como escritores, cineastas, msicos, pintores, escultores,
pessoas da televiso e do teatro etc. Esses registros constituem verdadeiros 
documentos que revelam aspectos da histria. Leia o texto:

Canudos na literatura e no cinema

  *Os sertes*, de Euclides da Cunha,  a primeira obra literria a tratar da
Guerra de Canudos. Publicada em 1902,  tambm uma das mais importantes sobre
o tema (...). Mas a guerra, desde a poca at hoje, foi tratada em centenas 
de livros de cordel, folhetos com texto em versos em que poetas populares e 
repentistas do Nordeste abordaram o assunto.  o caso de *As profecias de Antnio Conselheiro*, de Franklin Machado, 
para citar um exemplo da dcada de 70.
  Na mesma dcada, o Conselheiro chegou s telas do cinema. 
<103>
Glauber Rocha, considerado um dos maiores cineastas brasileiros, cujos filmes
focalizam os problemas sociais do Nordeste, apresentou em *O drago da maldade
contra o santo guerreiro e Deus e o diabo na terra do sol* personagens 
baseados na figura de Antnio Conselheiro.
  No exterior, no final dos anos 70, uma produtora cinematogrfica norte-americana
pretendeu fazer um filme sobre Canudos. O roteiro foi encomendado ao importante 
escritor peruano Mario Vargas Llosa, mas ele acabou por transformar sua histria
num belo livro, *A guerra do fim do mundo*.
  Nos anos 80, o Conselheiro inspirou tambm um personagem de televiso: o 
Profeta, que o humorista Chico Ansio representava 
<P>
ao fim de seu programa semanal na Rede Globo.

<R+>
Antonio Carlos Olivieri. *Canudos -- guerras e revolues brasileiras*. 
So Paulo, tica, 1997. p. 38

1- Procure no dicionrio as palavras do texto que voc no conhece e leia-o 
novamente.
 2- Segundo o texto, a Guerra de Canudos foi retratada por quais
manifestaes artsticas?
 3- Agora voc  o artista. Represente a Guerra de Canudos, fazendo
uma cano, um texto, uma poesia, uma dramatizao, um
desenho etc.
<R->

  Tambm fugindo das secas que atingiam o Nordeste e em busca de melhores 
condies de vida, mais de 500 mil moradores daquela regio foram viver na 
Amaznia a partir do final do sculo XIX. Ali, trabalharam na extrao do 
ltex, matria-prima da borracha, nas reas dos seringais (1). 
  Alguns nordestinos que migraram para a Amaznia, como comerciantes ou proprietrios
de terras no Nordeste, tornaram-se donos de seringais e ganharam muito 
dinheiro. Porm, as pessoas que foram trabalhar na extrao do ltex no 
conseguiram melhorar suas condies de vida.
<104>
  Esses trabalhadores j chegavam  Amaznia devendo o preo da passagem ao 
dono do seringal. Iam morar em cabanas prximas das seringueiras e todos os 
dias, por 16 horas, trabalhavam fazendo cortes nas rvores para recolher a 
goma e depois defum-la, transformando-a em borracha. Expostos a doenas 
provocadas por picadas de insetos e ataques de animais, no tinham nenhuma proteo nem assis-
<F->
:::::::::::::::::::::::::::::::::
      (1) Seringais: reas on-
  de se concentram as seringuei-
  ras, rvores das quais se ex-
  trai o ltex.
<F+>
<P>
tncia. Tudo o que necessitavam para viver era vendido 
pelo prprio dono do seringal, a quem os seringueiros ficavam devendo cada
vez mais. 
  Alm das pssimas condies de trabalho dos seringueiros, o desmatamento 
indiscriminado tornou-se uma ameaa no s para eles, mas tambm para as 
outras pessoas que dependem diretamente dos recursos da floresta para viver.
  Em algumas regies, ao longo do tempo, os seringueiros conseguiram se 
organizar para lutar por melhores condies de trabalho e pela preservao 
da floresta. 

<R+>
_`[{foto de Chico Mendes extraindo ltex de uma seringueira. Legenda a seguir_`]
<R->
  Um dos grandes lderes dessa luta foi Chico Mendes, um seringueiro que 
defendia a preservao da floresta Amaznica e os direitos dos povos que 
nela habitam: ndios e trabalhadores que vivem do extrativismo vegetal, 
como castanheiros e seringueiros. Chico Mendes acreditava que era possvel 
extrair produtos da floresta e conserv-la ao mesmo tempo.

<R+>
3 Em grupo, escolham um dos temas a seguir e faam uma pesquisa sobre ele.
 a) Como Chico Mendes morreu. 
 b) Como vivem os povos que habitam a floresta Amaznica atualmente. 
 c) O que provoca o desmatamento da floresta Amaznica e o que  possvel 
fazer para conserv-la. 
<R->

               oooooooooooo

O Desenvolvimento das 
  Indstrias e os
  Operrios

  As primeiras indstrias foram instaladas no Brasil na segunda metade do 
sculo XIX. Mas a atividade industrial desenvolveu-se de fato a partir do 
sculo XX, principalmente em So Paulo e no Rio de Janeiro, com os 
investimentos dos proprietrios das fazendas de caf. 
  Nos primeiros 30 anos do sculo XX, a atividade industrial cresceu muito 
no pas. Nessa poca as indstrias txteis, alimentcias, metalrgicas, 
grficas, qumicas, de vesturio e de mveis foram as que mais se destacaram.
S no estado de So Paulo, que a partir de 1920 superou o Rio de Janeiro em
produo industrial, havia mais de 100 mil operrios, entre eles um grande
nmero de mulheres e crianas.
  Os operrios e suas famlias foram viver nos lugares onde as moradias eram 
mais baratas, mas tambm precrias. Em geral, eram locais distantes do centro
e prximos das indstrias. Os baixos salrios levaram o operariado a viver, 
muitas vezes, em favelas e cortios.

<R+>
_`[{cartaz contendo as seguintes informaes: "Exposio Industrial da cidade
de So Paulo de grande interesse para os industriaes, commerciantes, lavradores e
para o pblico em geral. Machinas em movimento. Grande parque de diverses."
Legenda a seguir_`]
<R->
  Por esta reproduo de cartaz de 1918 pode-se notar a prosperidade da 
indstria paulista no incio do sculo XX.

<R+>
1 No incio do sculo XX um grande nmero de crianas trabalhava nas
indstrias do Brasil. E hoje, isso  permitido? Qual a sua opinio sobre
o assunto?
 2 Em uma folha avulsa, faa um desenho de como voc imagina as cidades 
brasileiras no incio da industrializao no pas. Pense no 
<106>
grande nmero de indstrias que foram construdas e de operrios que vieram 
trabalhar nelas, nos locais onde eles foram morar etc. Fixe seu desenho no 
mural da sala de aula e observe o dos colegas. 
<R->

<F->
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  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

  A importncia da indstria na economia do pas aumentava cada vez mais. Os
representantes do governo criaram, a partir da dcada de 1940, indstrias 
essenciais para a atividade industrial, como, por exemplo, as usinas 
siderrgicas, que produzem o ao, matria-prima fundamental para a produo 
de mquinas e equipamentos. 
  Alm disso, principalmente a partir da dcada de 1950, muitas filiais de 
indstrias de outros pases, conhecidas como multinacionais, foram instaladas
no Brasil. Entre elas, podemos citar as do ramo farmacutico, automobilstico 
e de eletrodomsticos.
  Com a instalao das multinacionais houve uma diversificao nas indstrias
do Brasil. No entanto, muitas empresas brasileiras acabaram fechando, pois 
no conseguiam concorrer com as indstrias estrangeiras. No ano de 1953 foram
tomadas medidas para proteger a produo brasileira, como a criao da 
Petrobrs, indstria nacional para a extrao e o refino do petrleo, e o 
limite de remessa de lucros das empresas estrangeiras para o exterior. 
  Na segunda metade da dcada de 1950, a poltica econmica mudou de rumo. 
Pretendia-se a modernizao do pas e permitiu-se que empresas estrangeiras 
controlassem alguns setores industriais, como o de automveis, o de produtos
qumicos e farmacuticos. Os trabalhadores sofreram as conseqncias, pois a 
inflao (1) aumen-
<F->
::::::::::::::::::::::::::::::::::
      (1) Inflao: aumento 
  dos preos em geral e perda do 
  poder de compra. 
<F+>
<P>
tou e os salrios continuaram baixos. 

<R+>
_`[{foto de uma fbrica de automveis. Legenda a seguir_`]
<R->
  Linha de produo da Volks em So Bernardo do Campo, SP, na dcada de 
1960. A empresa alem Volkswagen foi a primeira grande indstria 
automobilstica instalada no Brasil.

<107>
<R+>
3 Junto com seus pais ou responsveis, relacione no caderno dez produtos 
industrializados que vocs usam em casa. Pode ser roupa, alimento, remdio,
brinquedo, produto de higiene, de limpeza etc. Escreva o nome do produto, 
para que serve e o nome da empresa que o produziu. Depois, tente saber se 
a empresa  nacional ou estrangeira.
<R->

<P>
<F->
!::::::::::::::::::::::::::::::
l  E os operrios, como rea-  _
l  giam a tudo isso?           _
h::::::::::::::::::::::::::::::j
<F+>

  J no incio do sculo XX os trabalhadores das indstrias comearam a se 
organizar para lutar por melhores salrios e melhores condies de trabalho.
Nessa poca, a maior parte dos operrios das primeiras indstrias brasileiras
era de imigrantes estrangeiros. Parte dessas pessoas j havia trabalhado em
indstrias e participado de lutas pelos direitos dos trabalhadores em seus
pases de origem. Com a experincia que tinham, contriburam para a organizao
dos operrios em sindicatos e dos movimentos de reivindicao, como, por exemplo, as greves.
   Ao longo do tempo, os operrios, assim como outros trabalhadores, construram
uma histria de lutas para conquistar seus direitos.
<P>
<R+>
_`[{um cartaz. Legenda a seguir_`]
<R->
  Reproduo de cartaz de 1926 convidando os trabalhadores para uma reunio
geral e para as festividades do Dia do Trabalhador. Inicialmente uma data 
festiva, comemorada no dia 1 de maio, tornou-se, a partir da dcada de 
1930, motivo de represso do governo e dos patres que queriam evitar a 
organizao dos operrios. As greves e a comemorao do 1 de maio
constituam formas de luta e resistncia dos trabalhadores.

<108>
<R+>
4 Em grupo, pesquisem, em jornais e revistas, matrias sobre as lutas dos
trabalhadores em diferentes setores da economia brasileira. Depois, faam
uma dramatizao. Para isso, escolham as personagens: os trabalhadores
(o que reivindicam, como fazem suas exigncias), os patres (o que pensam 
sobre as reivindicaes dos funcionrios, como reagem a elas), a sociedade 
(quais as conseqncias das manifestaes trabalhistas para a sociedade em 
geral, o que ela pensa sobre esses movimentos). Marquem um dia para a apresentao.
<R->

               oooooooooooo

A Economia e o Trabalho a
  Partir de 1960 At 
  os Dias Atuais

  No incio da dcada de 1960 foram anunciadas diversas medidas que favoreciam
o conjunto da populao assalariada: distribuio de terras e recursos para o 
trabalhador rural, aumento do nmero de escolas, direito de voto para os 
analfabetos, cobrana mais justa de impostos. Alm disso, procurou-se, 
novamente, limitar a remessa de lucros das empresas estrangeiras para o 
exterior.
  Embora agradassem  populao, essas medidas contrariavam os interesses dos
investidores estrangeiros e dos mais ricos, que reagiram com protestos. A 
onda de protestos cresceu e, em 1964, o governo foi derrubado, e teve incio 
o governo dos militares. Durante o governo militar o povo no pde mais eleger
o presidente da repblica, que era indicado pelos prprios militares. 

<R+>
_`[{foto mostrando um confronto entre policiais e civis. Legenda a seguir_`]
<R->
  Durante o governo militar o povo no pde mais eleger o presidente da repblica,
que era indicado pelos prprios militares. Alm disso, as pessoas que 
discordavam do governo eram proibidas de manifestar-se, e muitas foram 
perseguidas e presas. Na foto, represso militar  greve dos bancrios no 
centro do municpio de So Paulo, em 1979. 
<P>
<109>
  Esse governo, que durou at 1985, foi marcado pela autoridade dos 
governantes militares, que, entre outras medidas, proibiram as manifestaes 
trabalhistas.
  Durante o governo militar, o Brasil atravessou perodos de crescimento 
econmico e de crise. A dvida externa e a inflao atingiram ndices altssimos.
O desemprego tambm cresceu muito. A partir de 1979, apesar da proibio, 
ocorreram vrias greves, que tinham como objetivo exigir a liberdade de 
expresso e o fim do poder dos militares, alm de melhores condies de vida 
para o trabalhador.

<R+>
_`[{foto de uma manifestao popular. Legenda a seguir_`]
<R->
  Em 1984, inmeras manifestaes populares tomaram as ruas do pas para pedir o fim
do governo militar e o direito de eleger o presidente. Esse movimento ficou conhecido
como Diretas-j! Finalmente, em 1985 teve fim o perodo da ditadura no Brasil.

<R+>
1 Pesquise no dicionrio o significado das palavras *ditadura* e *democracia*. 
Depois, escreva um pequeno texto sobre o perodo da histria do Brasil entre
os anos de 1964 a 1985.
<R->
  Os representantes dos governos que se seguiram aps o fim da ditadura 
implantaram vrios planos para deter a crise econmica no pas. No entanto, 
a crise e a inflao fugiam ao controle. Somados a isso, o nvel de desemprego 
cada vez mais alto e os salrios baixos castigavam os trabalhadores. Muitas 
empresas pblicas foram vendidas a particulares, as chamadas privatizaes, 
aumentando o nmero de investidores estrangeiros no pas.
  Como resultado de todo esse processo, o Brasil tornou-se um dos pases com 
maior desigualdade social. Apesar de haver muita riqueza, ela 
<110>
est concentrada nas mos de poucas pessoas. Os mais pobres no possuem sequer
o mnimo para uma sobrevivncia digna, como moradia, educao e sade. 
Trabalhadores sem-teto, sem-terra, por exemplo, tornaram-se comuns nos 
noticirios da televiso, nos jornais e nas revistas e so uma realidade que 
vemos todos os dias tanto no espao urbano quanto no espao rural.

<R+>
2 O salrio mnimo foi criado no Brasil em 1940. Por lei nenhum trabalhador 
pode ganhar menos que um salrio mnimo, que deveria ser suficiente para 
suprir as necessidades bsicas do trabalhador e sua famlia, como moradia, 
alimentao, vesturio, lazer, transporte, impostos.
 a) Qual o valor atual do salrio mnimo?
 b) Quantas pessoas moram em sua casa? Quantas trabalham?
 c) Pergunte a seus pais ou responsveis qual o gasto mensal de sua
famlia com as despesas com aluguel, alimentao, transporte,
contas (luz, gua, telefone, gs), vesturio e lazer.
 d) Na sua opinio, o salrio mnimo  suficiente para essas despesas?
     Que dificuldades as pessoas que recebem salrio mnimo enfrentam?

3 O Brasil tornou-se um dos pases com maior *desigualdade social*. Recorte 
de jornais e revistas figuras que demonstrem essa realidade. Cole-as numa 
folha avulsa e fixe-a no mural da sala de aula. Observe as figuras que seus 
colegas selecionaram.
<R->

<F->
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  pea orientao ao professor  y
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               ::::::::::::::::::::::::

<111>
Para terminar

  Somos todos cidados deste pas chamado Brasil. Temos deveres a
cumprir, mas temos tambm direitos que foram conquistados por meio de
lutas ao longo da histria.

<R+>
1 Para voc, o que  cidadania? 
 2 Para exercer seus direitos,  preciso, primeiramente, conhec-los.
     Converse com seus colegas e faam desenhos que representem os
direitos das crianas. Se necessrio, consultem o Estatuto da Criana
e do Adolescente. 
<R->

  Agora leia este texto do socilogo e poltico brasileiro Darcy Ribeiro.

Brasil

  Nossa terra brasileira  um pas bonito. Muitssimo bonito. Ainda , graas
ao que sobrou de nossas imensas matas verdes, cheias de flores e frutos. Seus
mares, s vezes verdes, s vezes azuis, de guas lmpidas, sempre moventes. 
Antigamente cheios de baleias soprando a gua e de golfinhos danando sobre 
as ondas. Nossos rios descomunais foram muito poludos, mas ainda guardam 
uma peixaria imensa. Nossos cus so a alegria da passarada inumervel, de 
todo colorido.
  Assim era o Brasil (...). Mas, desde a chegada do europeu, vem enfeiando 
demais. A verdade  que ns, brasileiros, no tratamos bem de nossa morada. 
Acabamos com milhares de espcies animais, grandes e pequenas, para criarmos,
em lugar delas, aquelas poucas que nos so mais teis, como as vacas, os 
cavalos, os jumentos, as cabras, os porcos, as galinhas, os patos, os perus 
etc. Acabamos, tambm, com imensas matas e campinas, a fim de plantar
capim para os bichos ou lavouras para nossa comida. (...)
  O certo  que vivemos desfazendo e apodrecendo o mundo belo 
<112>
que herdamos dos ndios. Que ser dos netos de nossos netos, se isso continuar? 
 preciso evitar o desastre previsvel, defendendo agora as condies necessrias
para que os verdes floresam e os bandos de bichos silvestres se refaam. Sem 
muita vida vicejante, nossa gente humana tambm sucumbir. Um sculo mais do 
tipo de ocupao que fazemos destruiria toda a prodigiosa natureza brasileira. 
Assim como acabamos com a imensido da floresta Atlntica, acabaramos tambm
com a Amaznia, que  o jardim da Terra. Seria um suicdio feio, fruto da 
ignorncia e da ganncia. 

<R+>
Darcy Ribeiro. *Noes de coisas*. So Paulo, FTD, 1995. p. 64-67

<P>
3 Procure no dicionrio as palavras do texto que voc no conhece e leia-o novamente.
 4 Alm dos direitos, todos ns, adultos e crianas, temos deveres com
a sociedade e com o mundo em que vivemos. Segundo o texto, que dever em 
relao ao local onde moramos estamos deixando de cumprir? Por qu?
 5 "Que ser dos netos de nossos netos, se isso continuar?" Converse com 
seus colegas. 
 6 Em grupos, elaborem uma lista de coisas que podemos fazer para conservar 
as florestas e melhorar a qualidade dos rios, mares e do ar. Depois, faam 
cartazes ilustrados e pendurem por toda a escola. 
<R->

               ::::::::::::::::::::::::

<P>
Para saber mais

<R+>
livros 
 *Lutando por direitos*, de Rogrio Andrade Barbosa. 
So Paulo, Melhoramentos, 1995. 
 *Pedro, o independente*, de Maringela Bueno e Sonia 
Dreyfuss. So Paulo, Callis, 1999. 
 *Sua majestade, o caf*, de Vera Vilhena de Toledo e 
Cndida Vilares Gancho. So Paulo, Moderna, 1992. 

site 
 ~,www.portinari.org.br~,
<R->

               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo

Fim da obra

<R+>
 Programa Nacional do Livro 
  Didtico -- PNLD 2004

FNDE/MEC

Cdigo: 212855L Tipo: --
<R->
<T->
<P>
<F->
Hino Nacional

Letra: Joaquim Osrio Duque
  Estrada
Msica: Francisco Manoel da
  Silva 

Ouviram do Ipiranga as margens
  plcidas
De um povo herico o brado
  retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios
  flgidos,
Brilhou no cu da Ptria nesse
  instante. 

Se o penhor dessa igualdade 
Conseguimos conquistar com brao
  forte,
Em teu seio,  Liberdade, 
Desafia o nosso peito a prpria
  morte! 

 Ptria amada,
Idolatrada, 
Salve! Salve! 

<P>
Brasil, um sonho intenso, um raio
  vvido
De amor e de esperana  terra
  desce, 
Se em teu formoso cu, risonho e
  lmpido,
A imagem do Cruzeiro resplande-
  ce. 

Gigante pela prpria natureza, 
s belo, s forte, impvido co-
  losso, 
E o teu futuro espelha essa gran-
  deza. 

Terra adorada, 
Entre outras mil,
s tu, Brasil, 
 Ptria amada! 

Dos filhos deste solo s me
  gentil,
Ptria amada,
Brasil! 

<P>
Deitado eternamente em bero
  esplndido,
Ao som do mar e  luz do cu
  profundo,
Fulguras,  Brasil, floro da
  Amrica,
Iluminado ao sol do Novo
  Mundo! 

Do que a terra mais garrida 
Teus risonhos, lindos campos tm
  mais flores;
"Nossos bosques tm mais vida,"
"Nossa vida" no teu seio "mais
  amores".

 Ptria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve! 

Brasil, de amor eterno seja
  smbolo
O lbaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta
  flmula
-- Paz no futuro e glria no
  passado.

Mas, se ergues da justia a clava
  forte,
Vers que um filho teu no foge 
  luta,
Nem teme, quem te adora, a pr-
  pria morte.

Terra adorada,
Entre outras mil,
s tu, Brasil,
 Ptria amada!

Dos filhos deste solo s me
  gentil,
Ptria amada,
Brasil!
<F+>

               oooooooooooo

